2011, um ano muito positivo
Data de Publicação: 30 de janeiro de 2012
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Eu não sou um otimista quanto ao futuro de longo prazo das operações de saúde privadas no Brasil, sem que haja uma mudança na legislação que trata do assunto. A Lei dos Planos de Saúde é ruim e a judicialização do tema não tem contribuÃdo para garantir o atendimento de milhares de pessoas que, num dia ainda distante, poderão ficar sem atendimento, justamente quando precisarem dele, em função das operadoras não terem mais recursos para fazer frente aos seus compromissos.
Qualquer negócio só é viável se respeitar uma regra simples: as entradas e saÃdas devem, no mÃnimo, ser equivalentes. Se as saÃdas forem maiores do que as entradas, é só uma questão de tempo até a falência. Esta é a ameaça concreta que pesa sobre o futuro de mais de 45 milhões de brasileiros atendidos pelos planos de saúde privados. De outro lado, dizia Winston Churchill que a verdadeira razão de ser da polÃtica é adiar para amanhã o que já está estourado hoje. Sob este ponto de vista, a situação dos planos de saúde privados brasileiros é hoje, sem dúvida, a melhor em muitos anos.
A resposta mais óbvia para este cenário é o atual momento que o Brasil atravessa. O enriquecimento da sociedade, o ingresso de mais de 30 milhões de pessoas na classe média e a expansão da economia em todas as frentes possibilitaram que um número importante de novos consumidores passasse a ser atendido pelos planos de saúde privados. Este produto está entre os mais desejados pelos brasileiros de todas as classes sociais. E não é difÃcil entender o porquê. Com as filas do SUS se estendendo pelas calçadas dos hospitais públicos, conseguir atendimento médico-hospitalar de qualidade não é luxo, é necessidade.
Mas o processo socioeconômico brasileiro tem mais uma particularidade com impacto positivo no aumento da demanda. Em função do aquecimento econômico, a mão de obra qualificada passou a ser fortemente procurada em todos os setores. Aumentos salariais deixaram de ser suficientes para reter os bons funcionários. Então as empresas passaram a oferecer planos de saúde privados como diferencial para seus talentos.
Atualmente, mais de 70% dos planos de saúde em vigor no Brasil são planos custeados pelas empresas a favor de seus colaboradores. Como os planos empresariais não estão integralmente sujeitos aos ditames da Lei dos Planos de Saúde, este desenho favorece um número menor de problemas. Mas há ainda outro fator que merece ser salientado. A atuação da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar). A ANS é a agência encarregada da normatização e fiscalização do setor dos planos de saúde privados.
No começo de suas atividades, sua atuação tinha forte viés polÃtico ideológico, o que não era bom para ninguém. Com seu amadurecimento, este desenho deu lugar a ações muito mais pragmáticas, voltadas a encontrar soluções para problemas reais que afetavam a vida de milhares de pessoas ou dificultavam a atuação das operadoras. Ao longo de 2011 a ANS atingiu um alto grau de eficiência. Tomou medidas importantÃssimas para regular e apaziguar uma série de conflitos que emperravam o bom atendimento da população, criando mecanismos infralegais capazes de solucionar as divergências, através de regras claras para o funcionamento dos planos.
Inseguranças que tinham razão de ser, falta de transparência, dependência excessiva dos consumidores em relação à s operadoras, frutos do desenho fortemente escorado nos planos empresariais apresentados pela saúde suplementar brasileira e pelas inconsistências de uma lei ruim, foram sanadas através de medidas administrativas que deram regras claras para a proteção de ex-funcionários, migração para outras operadoras, adaptação dos planos antigos à s regras da lei, etc. O resultado é que o brasileiro entra em 2012 sabendo-se muito melhor protegido por seu plano de saúde privado. Com esta certeza, com as operadoras melhorando seus quadros e a ANS atenta, é de se esperar uma sensÃvel queda no número de problemas que afeta o setor.





