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Controlador da Amil será maior acionista do Dasa

Data de Publicação: 6 de setembro de 2010
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O médico e empresário Edson Godoy Bueno, 67, acionista controlador da Amil e da MD1 Diagnósticos, disse que com a incorporação da MD1 pela Diagnósticos da América (Dasa) tanto a Amil como o laboratório ganham. “Podemos crescer juntos”, disse ao Valor, afirmando que o poder de fogo do maior plano de saúde do país (Amil) e do maior laboratório (Dasa) vai lhes permitir oferecer melhores preços do que os concorrentes quando decidirem expandir suas atividades em novas regiões do Brasil.

A MD1, da qual Bueno detém 88% das ações, é dona do Laboratório Sérgio Franco, da Clínica de Diagnóstico por Imagem (CDPI), da Clínica de Ressonância e Multi Imagem (CRMI) e da Pro Echo Cardiodata Serviços Médicos. No processo de incorporação pela Dasa, a MD1 passará a ser a maior acionista individual do laboratório, com 26,36% do seu capital. Ainda assim, de acordo com Bueno, a nova sócia designará apenas um dos sete membros do conselho de administração da Dasa.

O Laboratório Sérgio Franco, que segundo Bueno é o terceiro maior do Brasil (atrás apenas da Dasa e do Fleury), atua apenas no Rio de Janeiro, onde estão mais de 90% das suas cerca de cem unidades, Paraná e São Paulo. Tanto o laboratório como as demais empresas da MD1 formam uma sociedade à parte da Amil, esta uma empresa de capital aberto, embora tenham contrato de prestação de serviços para a empresa de plano de saúde.

Bueno disse que com a incorporação da MD1 pelo Dasa o contrato com a Amil que vencia em 2017 passa a valer até 2025. “Todas as vantagens competitivas que a Amil tinha com o MD1 serão mantidas ou melhoradas”, afirmou o empresário ao enumerar os ganhos que a empresa do mercado de planos de saúde terá com o negócio anunciado ontem.

Bueno afirmou ainda que pela negociação os sócios da MD1 se comprometem a não deixar a sociedade no prazo de quatro anos, embora, segundo ele, haja um compromisso à parte desses mesmos sócios de ficarem juntos nos próximos 15 anos.

Natural de Guarantã, pequeno município da região de Bauru (SP), filho de pais pobres, Bueno é o que se pode chamar de um homem que se fez por conta própria. Irreverente, conta que decidiu ser médico quando acordou de um desmaio na rua nos braços de um profissional de saúde. Entrou para o custo de medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e, no 6º ano, começou a trabalhar como residente em um hospital privado de Duque de Caxias (Baixada Fluminense) que logo depois quebrou.

O empresário conta que comprou uma pequena casa de saúde na mesma cidade, a Casa de Saúde São José, em 1972, e que em pouco tempo já faziam também parte do grupo o Hospital Mário Leoni e a Casa de Saúde Santa Rita, detendo 70% do mercado.

A Amil nasceu em 1978, segundo Bueno, a partir da sua observação do sucesso da Golden Cross que tinha à sua frente um advogado. “Se ele consegue como advogado, como médico também posso conseguir”, pensou. A Amil foi durante muito tempo sócia da Golden Cross no controle do Laboratório Sérgio Franco. Em 2001 o laboratório passou a ser integralmente da MD1 Diagnósticos.

Crescimento no Rio é fator positivo

Os investidores reagiram positivamente ao anúncio envolvendo a incorporação pela Diagnósticos da América (Dasa) da MD1 Diagnósticos, empresa que reúne os laboratórios controlados por Edson Godoy Bueno, da Amil. As ações da Dasa chegaram a subir mais de 8% ontem na Bovespa e encerraram o dia com alta de 6,67%, cotadas a R$ 19,20.

Além do preço implícito na transação, que os analistas consideram razoável, entre os aspectos positivos vistos na operação está o crescimento da Dasa no mercado do Rio, onde ela possui atualmente 66 unidades, sendo 49 “padrão” e 17 “premium”.

Sobre o preço, não é possível ter muitos detalhes, uma vez que não se conhece o faturamento, as margens nem as dívidas de todos os laboratórios que serão incorporados. A Dasa fará hoje à tarde uma teleconferência com analistas, quando deve apresentar detalhes da transação.

Uma informação que é pública é que, nos 12 meses até junho, a Amil, também controlada por Bueno, pagou R$ 115 milhões pelos serviços de três dos laboratórios incorporados – R$ 78,6 milhões ao Sérgio Franco, R$ 23,2 milhões ao CDPI e R$ 13,7 milhões ao Pro Echo. Os dados aparecem nos documentos sobre contratos com partes relacionadas da Amil.

Iago Whately, analista da Fator Corretora, menciona uma receita bruta estimada de R$ 400 milhões para os quatro laboratórios. Em matéria recente publicada pelo Valor, apenas o Sérgio Franco, o maior deles, dizia ter faturado R$ 350 milhões em 2009.

Os outros são menores: o CDPI tem quatro unidades; o CRMI, cinco; e o Pro Echo, quinze. Apesar do porte, eles são focados em exames de imagem, que costumam ter margem de lucro maior.

Assim, por alto, pode-se dizer que as unidades que serão incorporadas representam cerca de um quarto da Dasa atual, que teve receita bruta de R$ 1,5 bilhão no ano passado. E na relação de troca prevista, a MD1 Diagnósticos foi avaliada por 26,36% do capital da Dasa, o que estaria em linha com os dados de receita.

Sobre a questão regional, o analista Josh Milberg, do Deutsche Bank, ressalta que, além de aumentar a presença da Dasa no Rio, o negócio elimina a ameaça de competição dos laboratórios de Edson Bueno em São Paulo.

Antes da incorporação, uma parte da transação será em dinheiro, com a Dasa pagando R$ 88,2 milhões por 10% da Pro Echo, 28% da CRMI e 16,5% da CDPI.


Fonte: Chico Santos, Fernando Torres e Beth Koike - Valor Online

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